LONDRES – O Laboratório Global de Inovação em Finanças Climáticas (Lab), que em 2021 mobilizou mais de US$ 800 milhões para o enfrentamento da crise do clima em economias emergentes, vai acelerar um novo instrumento financeiro brasileiro neste ano: o Mecanismo de Captura de Reserva de Metano – Reservoir Methane Capture Mechanism. A ideia é uma das sete selecionadas, em todo o mundo, para o ciclo de aceleração de 2022.

“O ciclo de aceleração do Lab deste ano mostra que uma ampla variedade de instrumentos financeiros como fundos garantidores de créditos, financiamentos, seguros e títulos podem ser aproveitados para aumentar as oportunidades de desenvolvimento de ideias sustentáveis, mesmo em setores desafiadores como metano, aço e criação de camarões. É inspirador ver um conjunto de ideias tão diversas e inovadoras, com potencial de catalisar milhões de dólares para enfrentar a mudança climática”, diz Dr. Barbara Buchner, diretora-geral do Climate Policy Initiative.

O projeto selecionado no Brasil prevê um mecanismo de financiamento de uma tecnologia para capturar gás metano em hidrelétricas, que produzem água rica em metano como resultado natural de suas operações. Se capturado, esse gás pode abastecer geradores de biogás, fornecendo uma fonte de receita estável e concreta para as hidrelétricas. O instrumento financeiro vai cobrir o custo dessas estruturas e será compensado em taxas fixas e variáveis, de acordo com a energia gerada.

Apresentado pelas empresas Open Hydro e Bluemethane, o mecanismo almeja desenvolver um mercado de captura e negociação de gás metano a partir da captação em reservas hidrelétricas no Brasil, atraindo investimentos públicos e privados.

“Precisamos agir urgentemente para superar as barreiras financeiras e a lacuna na prestação de contas para reduzir as emissões de carbono dos reservatórios das hidrelétricas. O Lab é uma referência mundial de aceleração de instrumentos financeiros e capaz de mobilizar conhecimento de alto nível, além de capital financeiro para o nosso mecanismo”, comenta Maria Ubierna, diretora da Open Hydro.

A proposta é mobilizar financiamentos climáticos para reduzir as emissões de gás metano liberados por quedas d’água de hidrelétricas brasileiras. Inicialmente, os investimentos serão usados para o desenvolvimento e aprimoramento da tecnologia que torna esse processo de captação possível. De acordo com os proponentes, o retorno financeiro é de curto prazo, por meio da comercialização do metano capturado, que pode gerar biogás e energia limpa.

“O Lab oferece o suporte técnico que precisamos para a implementação do conceito na prática, agindo como catalisador para destravar financiamentos climáticos. Esperamos que esse apoio nos ajude a traduzir os benefícios de mitigação e adaptação da captura do gás metano dentro de um instrumento sólido e atrativo financeiramente”, completa Ubierna.

“O financiamento climático não trata apenas do clima, mas também do combate à pobreza e da redução da desigualdade. Já apoiamos ideias Lab do Brasil no passado e sabemos que elas podem contribuir para alcançar as metas do país em relação à neutralidade de carbono. Esperamos ver a ideia selecionada hoje tendo um impacto concreto em breve,” disse Nabil Moura Kadri, chefe do departamento de meio ambiente do BNDES e membro do Lab.

Desde que foi criado, em 2014, o Lab já lançou 55 instrumentos, comemorando a marca de mais de US$ 3,2 bilhões mobilizados. No Brasil foram dez projetos acelerados até hoje, incluindo soluções financeiras nas áreas de energia renovável e uso da terra que superam barreiras de investimentos no clima.

Uma dessas ideias, desenvolvida pela Albion Capital, é o Green FIDC Solar GD – primeiro Fundo de Investimento em Direitos Creditórios emitido como título climático do Brasil. Um desmembramento do fundo gerou também o primeiro certificado de recebíveis imobiliários climático do país, o Green CRI. Os dois instrumentos mobilizaram em 2021 US$ 48,4 milhões (ou R$ 247,8 milhões).

Nos próximos meses, o Lab vai unir representantes das iniciativas pública e privada para analisar e discutir como aprimorar os instrumentos selecionados neste ciclo. As ideias serão aprimoradas em conjunto com especialistas de diversos países, com o objetivo de potencializar sua capacidade de atrair investimentos. Nesta fase, os projetos também passarão por um período de análise, teste de resiliência e preparação para lançamento no fim do ano.

Sobre o Lab

O Laboratório Global de Inovação em Finanças Climáticas identifica, desenvolve e lança instrumentos financeiros inovadores que podem direcionar bilhões em investimentos privados para ações sobre mudança climática e desenvolvimento sustentável. Em 2021, recebeu o UN Global Climate Action Awards. O Lab é financiado pelos governos da Alemanha, Suécia e Reino Unido. A gestão é do Climate Policy Initiative.

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